Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 14 de maio de 2018

Paternidade na atualidade: Uma breve reflexão

Crédito: Imagem ilustrativa Paternidade na atualidade: Uma breve reflexão

O que é exercer a paternidade na contemporaneidade? Pergunta no mínimo difícil de responder, visto que, na atualidade a maneira de vivenciar a paternidade é diversificada e ampla. Para refletirmos um pouco sobre essa questão é importante entendermos o modelo paterno que foi construído historicamente e alguns de seus impactos.

Historicamente, a função paterna foi construída em um modelo de “homem provedor do lar”, isto é, as funções do homem se restringiam em trabalhar e fornecer o alimento e a segurança para sua família, enquanto a mãe era responsável pelos cuidados com o filho, com a educação, com o acolhimento etc. Essa construção de papéis sociais, que diferenciam a função paterna da materna se potencializou no decorrer dos anos, delimitando as possibilidades da criação dos filhos. Além disto, as crianças eram ensinadas a assumir os papéis sociais criados e enraizados na sociedade (ex: homem provedor e mulher cuidadora), afastando assim os homens de vivenciar de maneira diferente a criação dos filhos.
 
Com o decorrer dos anos, iniciam as lutas feministas pela a igualdade de gênero, denunciando os padrões de opressão contra a mulher e conscientizando a sociedade de alguns modelos de papéis sociais que reproduzem e mantém o machismo em nossa cultura. Essas lutas potencializaram alguns questionamentos sobre a maternidade e paternidade na contemporaneidade, produzindo um novo olhar e maneira de vivenciar esse período. Desta forma, nos dias atuais, existe a reflexão de uma paternidade ativa, que participa dos cuidados do filho, da educação, da troca de afetividade, do compartilhamento de tarefas etc, gerando saúde para todos os integrantes da nova família que se constitui. Por este motivo é de extrema importância que o companheiro se envolva desde o início, considerando que ao participar de forma ativa o casal se sentirá seguro e preparado para vivenciar a criação dos filhos, podendo diminuir possíveis sofrimentos e aumentar o bem estar familiar.

Entretanto, infelizmente, ainda é muito frequente em nossa cultura, a não participação ativa dos pais, sobrecarregando as mães com os cuidados dos filhos e da casa. Muitas mulheres se sentem sozinhas com a quantidade de tarefas que lhe é atribuída durante a maternidade, não encontrando apoio dos companheiros, e ouvindo de outras mães e/ou pessoas próximas que é “normal” o cotidiano atarefado da maternidade, naturalizando o papel do pai e mãe. É importante refletir que os cuidados com o filho e casa devem ser divididos de maneira que facilite o funcionamento da vida familiar, para não gerar sofrimento e sobrecarga a uma única pessoa.

No entanto, é necessário pensarmos sobre alguns fatores que podem dificultar inicialmente a aproximação dos homens com a paternidade. Para os pais, muitas vezes, entrar em contato com a nova situação após a chegada do filho pode ser difícil, pois o mesmo tem menos tempo de convívio com o bebê devido ao pouco tempo de licença paternidade. Outra hipótese é que ainda muitos homens aprenderam, no decorrer de sua vida, uma maneira distante e menos participativa de exercer a paternidade, reproduzindo os antigos modelos. Além de que, destaco um fator relevante, alguns espaços são oferecidos apenas para as mães relatarem seus sentimentos e expectativas da gestação, do parto e pós-parto, consequentemente há uma rede de apoio que ajuda a compreender as mudanças fisiológicas e psicológicas que ocorrem. O pai se encontra, muitas vezes, com dificuldades em relatar suas vivências relacionadas ao “ser pai”, visto que, não há muitos ambientes de reflexão sobre as mudanças da paternidade, e quando procuram conselhos de amigos e familiares, podem se deparar com discursos sobre as dificuldades financeiras que irão enfrentar a partir deste período.

Podemos encontrar diversas hipóteses sobre os obstáculos em exercer uma paternidade ativa em nossa sociedade, porém é fundamental refletirmos sobre elas e quebrar antigos costumes que limitam a participação do pai na criação de seu filho. Entendo que somos sujeitos ativos no mundo e que a participação do homem neste processo depende dele, mas devemos refletir que somente a vontade e ação do pai não determina essa relação harmoniosa, e que todo o contexto tem que propiciar possíveis mudanças, ou seja, todos os membros da família têm um papel fundamental na construção de um modelo de criação compartilhada. Enfatizo que, a relação do pai com o bebê influenciará significativamente de maneira positiva e/ou negativa no desenvolvimento de ambos. Cada família tem que encontrar seu modo de funcionamento, visando o bem estar de todos. Desta maneira, a criança crescerá em um ambiente saudável e propício para um desenvolvimento humano de qualidade, uma vez que os principais elementos da vida humana estarão presentes neste ambiente, o amor e respeito. 

Comentários

Maternidade & Paternidade

Diego Henrique Perez

Diego Henrique Perez

Formado em Psicologia pelo CEUNSP com pós-graduação em Psicologia Clínica em Saúde Reprodutiva da Mulher e Hospitalar pela UNICAMP. Educador Perinatal pelo GAMA e colaborador do grupo GAIA. Dedica-se a grupos de patern/matern, atendimentos em psicoterapia

Arquivo